Tecnologia e Inovação, com Guilherme Ravache

Tecnologia e Inovação

Por Guilherme Ravache
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REDES SOCIAIS

Entenda as diferenças de privacidade e segurança entre WhatsApp, Telegram e Signal

Veja as principais características de cada um aplicativos de mensagens e saiba qual melhor atende às suas necessidades

Julianna Valença
Julianna Valença
Publicado em 07/06/2021 às 17:39
Notícia
MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL
A empresa ESET analisa os principais recursos de privacidade e segurança do WhatsApp, Telegram e Signal. - FOTO: MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL
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Desde que o WhatsApp anunciou a nova atualização de seus termos e condições, que possibilitam o aplicativo a divulgar informações de alguns usuários com o Facebook, um grande número de pessoas decidiu migrar para outros aplicativos de mensagens. Dentre as opções alternativas à plataforma, encontram-se o Telegram e o Signal. A ESET, empresa líder em detecção proativa de ameaças, analisou as principais características dos aplicativos de mensagens mais populares para que os usuários possam escolher aquele que melhor atende às suas necessidades.


Segundo a ESET, deixar de usar o WhatsApp não seria a solução para evitar possíveis problemas de privacidade e uso de informações pelas empresas. Contudo, algumas análises podem ser feitas sobre as plataformas. Veja o contexto de cada um dos apps:

WhatsApp

Foto: Pixabay
Usuários do aplicativo de mensagens começaram a relatar os problemas na manhã deste domingo - Foto: Pixabay

Comprado em 2014 pelo Facebook, a plataforma é a atual líder em mensagens e soma mais de 2 bilhões de usuários, segundo a Forbes. A partir da aquisição, o aplicativo de mensagens cresceu em funcionalidades como canais e bate-papos em grupo, videochamadas, criptografia ponta a ponta e, recentemente, sistema de pagamento. Ou seja, é a aplicação mais utilizada, com amplas funcionalidades, e pertence a um dos maiores conglomerados empresariais da Internet.

Telegram

Foto: Reprodução
Telegram afirma que a segurança é sua prioridade e geralmente se recusa a colaborar com as autoridades - Foto: Reprodução

O aplicativo de mensagens conta com cerca de 500 milhões de usuários e pertence a uma organização autofinanciada, sem fins lucrativos, fundada pelos irmãos russos Nikolái e Pável Dúrov. Atualmente sua sede fica em Dubai.

Até o momento, o Telegram é um app gratuito, porém, houve tentativa de monetizá-lo em 2021, para cobrir despesas de infraestrutura. Os desenvolvedores garantem que a monetização não será feita por meio de publicidade ou venda do app a uma empresa, mas com funcionalidades especiais para usuários comerciais ou premium.


Signal

DAMIEN MEYER / AFP
A preocupação em torno do Signal está no fato da plataforma não seguir políticas ou termos de uso específicos - DAMIEN MEYER / AFP

Em contraponto do WhatsApp e do Telegram, o Signal é um aplicativo de código aberto, cujas bibliotecas e protocolos são publicados no github. Essa característica faz com que a implementação do aplicativo e de seus protocolos de segurança sejam facilmente verificáveis por toda a comunidade.

A plataforma começou a ganhar destaque em 2015, depois que Edward Snowden - analista de sistemas, ex-administrador de sistemas da CIA e ex-contratado da NSA -, elogiou sua privacidade e segurança em uma conferência. Atualmente, conta com mais de 10 milhões de usuários e é recomendado por vários especialistas e figuras conhecidas, como também o CEO e CTO da SpaceX, Elon Musk.


Análise dos aplicativos

Contexto

A pesquisadora do Laboratório da ESET na América Latina, Cecília Pastorino, ressalta sobre a importância do usuário levar em consideração o contexto. Pensar nisso, segundo ela, ajudará no entendimento sobre a melhor a posição que cada aplicativo ocupa em relação à privacidade e aos serviços que são oferecidos aos seus usuários. “É importante levar em consideração a origem das aplicações quando se trata de questões de segurança e privacidade”, comentou.

Termos de uso

A empresa também recomenda na hora da escolha, a leitura dos termos de serviço e política de privacidade de cada um desses aplicativos. Para isso, o usuário precisa acessar os links de política de privacidade do WhatsApp, política de privacidade do Telegram e política de privacidade do Signal.

Ainda de acordo com Cecília Pastorino, à primeira vista, a quantidade de dados que o WhatsApp coleta é, em suas palavras, “surpreendente”, comparada com o Telegram ou Signal. “É claro que existem dados essenciais que facilitam o funcionamento desses aplicativos, como o número do telefone, o perfil do usuário ou os contatos. Enquanto o resto dos dados que o WhatsApp coleta são usados para melhorar a experiência do usuário, dar suporte e integrá-lo com outros aplicativos do Facebook, entre outras coisas, também é um pouco excessivo em termos de privacidade”, afirma.

Segurança das mensagens e dados

Após avaliar as funcionalidades de cada aplicativo em termos de segurança e as práticas para o usuário, a ESET analisa os aspectos relevantes de privacidade e proteção da segurança das mensagens e dados enviados. De acordo com a empresa, o que se destaca primeiro é que os três aplicativos possuem criptografia de ponta a ponta em suas mensagens. Isso significa que as mensagens são criptografadas no dispositivo do remetente e descriptografadas no do destinatário.

“As mensagens trafegam criptografadas por toda a comunicação, não permitindo que os servidores de aplicativos as descriptografem. No entanto, o WhatsApp não criptografa os metadados, ou seja, informações adicionais como para quem é enviada a mensagem (e os dados mencionados no início) e esse tipo de informação pode ser usado para deduzir com quem você está falando, a que horas, há quanto tempo, etc.”, afirma a empresa.

No Telegram, a criptografia ponta a ponta só está disponível em mensagens secretas, porém, as comunicações regulares também são criptografadas entre o cliente e o servidor, por protocolo do próprio Telegram. A ESET avalia o aplicativo, nesse quesito, como “muito seguro''. “Isso se deve principalmente ao fato de o Telegram ser um serviço baseado em nuvem, que apresenta algumas vantagens, como armazenar um backup criptografado e não depender da conexão telefônica para utilizar sua versão web ou desktop”, completa a empresa.

Em caso de roubo do dispositivo móvel ou quando a bateria acabar, o Telegram também oferece a alternativa de continuar a usá-lo em um computador.

Verificação em duas etapas

A verificação em duas etapas é aconselhada pela ESET, assim como outros especialistas, a empresa classifica a configuração como “essencial para evitar clonagem ou roubo de conta”. As três plataformas possuem o recurso capaz de bloquear o aplicativo com um PIN ou impressão digital, o que evita que terceiros leiam as mensagens quando o telefone está desbloqueado. Somado a isso, o Telegram e o Sinal também possuem a opção de receber notificações sem conteúdo para não revelar textos ou remetentes no recebimento de uma mensagem.

Mensagens enviadas

Os três aplicativos também apresentam a opção de excluir mensagens enviadas. O Signal e o Telegram possuem a particularidade de "autodestruir" uma mensagem depois de lida pelo receptor e um sistema de bloqueio de captura de tela. No caso do WhatsApp, a opção está disponível apenas depois de 7 dias do recebimento da mensagem.

Endereço do IP

Nesta função o Signal adiciona sai na frente, pois permite anonimizar o endereço IP do remetente em chamadas de vídeo e enviar mensagens sem revelar o número de telefone ou perfil do remetente.

DAMIEN MEYER / AFP
O Signal é um aplicativo de código aberto. - FOTO:DAMIEN MEYER / AFP

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